Arquivo para Scotland Yard

Contemplando as Trevas

Posted in RPG with tags , , , , , on maio 10, 2012 by Lucas Bernardo Ramires
There’s a shadow just behind me,
shrouding every step I take,
making every promise empty,
pointing every finger at me.
Waiting like a stalking butler
who upon the finger rests.
Murder now the path called must we,
just before the son has come.
– Tool, ” Sober”

24/12/1958

No necrotério da Scotland Yard Cadman espera a autópsia no corpo de Hank Seyfried, que deve ser feita pelo velho Doutor Fairfax. Ja passa das 22 horas e Cadman ainda está na busca para esclarecer a morte do policial americano.

– É quase natal investigador e você ainda trabalhando, isso não pode ficar para depois?

– Não doutor, preciso saber o resultado do exame com urgência.

– Claro que é urgente, tudo é sempre urgente. Tudo bem, pode acompanhar o exame se quiser.

– Depois eu irei para casa e sugiro que você faça o mesmo investigador!

Cadman acompanha o trabalho de Fairfax com atenção, após dois anos trabalhando na seção de Crimes Violentos ele parece estar ficando insensível…

O médico conclui que o homem morreu em virtude do corte na garganta, que o corpo ficou pouco tempo na água e que apesar de ser um homem saudável e forte ele aparentemente não conseguiu reagir ao ataque que o matou. Não existem marcas de luta em suas mãos e braços, como é comum nesses casos. Apenas o pulso direito foi torcido até fraturar todos os ossos do punho. O trauma na cabeça também sugere grande força empregada no golpe, foi usado um objeto contundente não determinado. Aparentemente o policial americano foi morto por mais de um atacante.

Após a autópsia Cadman Vai até o Savoy Palace Hotel faz uma busca no quarto de Barbara Seyfried, entrevista a assessora dela Julie Morgan e alguns funcionários sobre o desaparecimento da escritora, no entanto, não descobre nada relevante e retorna até seu frio e escuro apartamento para uma solitária ceia de natal.

25/12/1958

Daniel Graesser Acorda repentinamente, olha rapidamente para o relógio. São 03 horas de uma noite fria de natal, ele está sozinho em sua casa em Londres. Seus pais estão reunidos em sua terra natal em Wales para as festas, mas ele ficou em Londres, sozinho e obcecado pela correspondência que recebeu de sua finada noiva.

Ele levanta sentido frio, checa o termostato do aquecedor, veste um confortavel robe, serve uma dose de conhaque e vai novamente até seu escritório consultar o sinistro material legado a ele por sua amada Sthephany. Repassa novamente as anotações, os relatórios e as fotos, procura agora identificar o lugar onde as fotos foram tiradas, mas não encontra nada muito mais significativo, as fotos mostram na sua maioria o que aparenta ser o interior de um hospital ou intalação similar. Nas fotos tiradas a céu aberto pode se ver apenas parte de um grande prédio provavelmente construído no século XIX.

Alguma coisa repentinamente tira a concentração de Graesser da pasta negra, ele vê rapidamente passar pelo corredor um vulto, apenas um milésimo de segundo, mas, ele tem certeza de ver sua noiva caminhando pelo corredor.

Ele sai de seu escritório e segue a visão, anda pela casa e novamente a vê de costas, aparentemente se dirigindo ao quarto em que tantas noites estiveram juntos. Quando ele chega inseguro próximo ao quarto, com um atiçador de fogo firmemente em suas mãos, ele a vê agora sem duvida. Parada em frente a cama, usando uma camisola, de pés descalços como se tivesse apenas levantado da cama, Graesser pode ver a aliança de noivado em sua mão. De pé, cabeça baixa, ela chora baixinho um lamento doloroso.

– Daniel, esqueça isso, por favor…

Graesser vai até o criado mudo e procura a aliança para tentar encontrar uma prova para si mesmo de que Sthephany não está ali de pé no quarto com ele. Quando ele abre a gaveta e pega o anel de noivado na mão, ele olha novamente em direção da aparição de sua noiva, no entanto, ela ja não está mais ali…

— —

Na manhã de natal de 1958, Cadman longe de sua família que está na Irlanda, não tem motivos para ficar em seu apartamento em Londres. Ele parte então novamente para a investigação de um crime que provavelmente terá implicações diplomáticas. Se talvez com sorte ele conseguir achar os criminosos com rapidez ele pode conseguir uma promoção, talvez seja esse pensamento que anime o investigador Cadman a enfrentar o frio e a fina neve que cai nesta manhã para inspecionar a ponte sobre o rio Tâmisa em que ele, baseado nas informações do legista, acredita que o corpo do policial americano foi jogado.

Na calçada da ponte Cadman espera encontrar pelo menos alguma quantidade de sangue, em virtude do tamanho do corte no pescoço do morto, no entanto, a chuva fina, o tráfego de pessoas e nesta madrugada a neve que cobriu Londres não deixaram os rastros que ele esperava, se é que eles existiam…

O investigador chega até a amurada da ponte e olha as água silenciosas do rio, parece não haver pistas no local. Quando ele passa a mão na amurada e remove a camada de gelo que a recobre e encontra uma mancha escura que ficou impressa na pedra como se um liquido escuro tivesse sido esfregado na pedra da amurada, poderia ser sangue?

  — —

Graesser convoca sua secretária na manhã de natal para o trabalho no escritório em Londres, ela não está nada feliz, mas, precisa do emprego e não é fácil conseguir outro trabalho bem remunerado, no entanto, ela gostaria de estar em casa com o marido e a filha. Graesser sozinho em seu escritório remexendo os papéis que recebeu de sua noiva, ordena que sua secretária lhe traga os nomes dos seus contatos com o Governo dos Estados Unidos que  eram os responsáveis por alguns projetos com a sua empresa.

Ele tenta falar com eles no pentágono mas a secretária apenas informa que os Diretor Shepard, encarregado desses assuntos, está esquiando em Aspen. Graesser marca uma reunião com Shepard o mais rápido possível, ele deseja muito obter informações a respeito dos projetos de pesquisa que o Governo dos Estados Unidos patrocinava na Graesser Chemical.

Mais tarde Graesser liga para o MI5, ele pensa fazer o que lhe parece era a intenção de sua falecida noiva Sthephany Queeny, expor pesquisas antiéticas e criminosas, com possíves aplicações militares que podem causar grande sofrimento à humanidade. A única resposta do MI5 é que o agente Anthony Blunt do departamento de Relações Exteriores irá procura-lo.

Graesser passa o dia de natal na sede da Graesser Chemical. Em sua sala estudando as anotações de sua noiva ele planeja a maneira mais racional e agir daqui para frente, ele possui algumas provas, porém, apenas circunstanciais. Depois que ele libera sua secretária para ir, ele fica sozinho no prédio, tomando conhaque e pensando. O telefone de sua sala toca, ele atende, mas o seu interlocutor não diz nada, permanece em silêncio e logo depois de alguns segundo desliga.

— —

A Trafalgar Books se localiza na praça de mesmo nome, construída em homenagem a grande vitória inglesa em uma grande batalha naval nas guerras napoleônicas. É uma livraria bem conceituada que é frequentada por muitos artistas e intelectuais londrinos. Quando Cadman entra na loja ele vê a mesa decorada com material promocional,  que foi usada pela escritora desaparecida em sua sessão de autógrafosAo lado ainda está uma pilha decorada de livros dela para incentivar as vendas. O que agora parce ser os únicos rastros que a escritora deixou.

A loja está vazia claramente em virtude do natal, somente um casal que parece estar procurando um presente de natal atrasado. Um aviso na porta diz que a livraria estará aberta até as 13 horas. Cadman entrevista o dono e os funcionários da loja. O dono se mostra bastante descontente com a falta da escritora porque ele havia feito anuncios no jornal e na radio e agora não haverá a segunda sessão de autógrafos que ele havia combinado, mas, de util ele parece não saber nada.

Um dos vendedores chamado Marc Edwards parece ser o único que tinha alguma informção relevante sobre o desaparecimento de Barbara. Ele diz que viu Barbara Seyfried e Julie Morgan saírem após a sessão de autógrafos com duas belas mulheres uma loira bem jovem e a outra de cabelo escuro um pouco mais velha, com quem, Barbara ficara bastante tempo convernando enquanto esteve na livraria. Ele afirma que nunca havia visto nenhuma delas na loja e pelo que pôde ouvir a loira tinha um sotaque que parece russo ou alemão, ele não tem certeza.

–  Você está cuidando do caso agora?

– Sim, eu estou auxiliando a investigação.

– É uma pena, ela é uma mulher adorável, espero que a encontrem logo, e bem.

– você viu mais alguma coisa?

– Como eu disse, ela conversou bastante tempo com aquelas mulheres, parecia tudo bem. Elas conversavam e sorriam o tempo todo.

– E depois o que aconteceu?

– Depois elas sairam, eu lembro porque as moças que levaram a senhora Seyfried e a senhorita Morgan dirigiam um daqueles Jaguars Mark IX novinho vermelho, como eu poderia esquecer.

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Na sede da Graesser Chemical, o dia passa e Graesser continua sozinho no escritório da empresa de sua família. Ele observa pelas amplas janelas de sua sala a neve continuamente e cobrir Londres de branco. Ele toma vários copos de conhaque enquanto pensa no que fazer. Ele recebe uma ligação de seu pai, que com a voz embargada lhe diz:

– Meu filho, como você está?

– Estou bem papai, tudo em ordem, estou trabalhando, por isso não passei o natal com a família.

– Tudo bem filho, eu preciso falar com você sobre um assunto desagradável.

– Do que se trata papai?

– Os Quenny ligaram, eles gostariam que você desocupasse o apartamento de Sthephany. Eu sei que isso é difícil, então pode deixar que nós cuidaremos disso se você quiser.

– Não papai, está tudo bem. Eu farei isso, estava adiando isso a algum tempo, mas é preciso fazer isso, tudo bem.

Graesser termina de empacotar tudos os objetos pessoais por volta do meio-dia e retorna ao seu escritório no centro de Londres. Logo após seu retorno novamente o telefone toca, porém, do outro lado da linha apenas silêncio…

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No Savoy Palace Hotel, Cadman retorna para uma nova busca. Ele revista o quarto que foi usado pela escritora Barbara Seyfried novamente, e dessa vez encontra um manuscrito que contém as pesquisas dela para um novo livro, que será sobre Jack o estripador, uma das mais terríveis histórias de Londres.

Ele procura novamente Julie Morgan e a interroga sobre o que ela e a escritora fizeram após a sessão de autógrafos e com que estiveram. Ela somente se lembra de terem vindo até o hotel com Barbara e logo depois de chegarem de ter ido dormir, ela nega ter estado com qualquer pessoa além de Barbara. Quando Cadman a confronta com o depoimento do vendedor Marc Edwards ela se mostra muito confusa e incoerente sobre o que ocorreu naquela noite. Ela consegue lembrar de tudo até algum momento durante a sessão de autógrafos, depois tudo se torna um pouco obscuro, até a manhã posterior. Ela acredita que isso se deve ao stress que ela está passando.

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A noite chega e Graesser está ficando bastante paranóico com as ligações misteriosas. Sozinho em sua sala que agora não parece mais tão segura ele planeja como sair de forma segura com os documentos que ele carrega, que de alguma forma ele acredita, podem coloca-lo em sério risco.

Tomando todas as precauções possíveis, ele observa atentamente pelas janelas procurando algo suspeito, um carro ou alguém agindo estranho nas ruas. Nada, no entanto, ele consegue encontrar e então se apronta para deixar o prédio rapidamente sob a proteção da escuridão.

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Nos escritórios da Scotland Yard Cadman pesquisa os registros de veículos de Londres. Ele procura saber os nomes de possíveis proprietarios de carros de Luxo Jaguar modelo Mark IX. Após algum tempo o departamento de registro de veículos informa que existem três carros desses modelo registrados em Londres,  apenas um deles é da cor vermelha…

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Resumo da crônica O Caminho das Sombras que tem como referência o Cenário de Trevas, editado pela Daemon Editora.

Lucas Bernardo Ramires – Narrador

Daniel Graesser – Grecco Morais

Desmond Cadman – Leandro Zanchin

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