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O Relato de Daniel Graesser:

Posted in Literatura, RPG with tags , , , , , , , on janeiro 31, 2013 by Lucas Bernardo Ramires

29/12

Faz um dia que Markus sumiu, ficamos eu e Cadman nesta região afastada.
Estranhamente começo a sentir impulsionado a sair da mansão.
Parece uma fome mas sem apetite e só consigo lembrar da empregada morta a cama sem sangue algum…

30/12

A fome é praticamente alucinante, Markus falou sobre a necessidade por sangue, disse que é impossível resistir, essa é a maldição que devemos carregar? Estranhamente Cadman não sente necessidade de dormir ao dia.
Será que os nazistas estão tentando usar o sangue de vampiros para criar uma aberração?

02/01/1959

Sangue… tudo se resume a isso.
Entendo agora a razão da corrida frenética nazista pelo sangue, há um poder oculto e inexplicável contido nele.
Ataquei minha primeira vítima conscientemente… uma garota parecida com as que se encontram no fundo do poço.
É visível o quanto essa condição me transformou fisicamente, mentalmente me sinto inabalável é quase como se ninguém conseguisse argumentar contra minha vontade.

06/01/1959

Essa nova condição começa a preocupar.Será impossível administrar a Graesser Chemical desta forma.  Levantará suspeitas, preciso encontrar uma solução, talvez tenha que deixar a direção da empresa e converter minha finanças de uma maneira em que eu fique anônimo. Uma empresa tem me chamando a atenção, International Business Machines, fundo de ações… entrego a Graesser Chemical para a Monsanto e converto para um fundo de ações… money-spinner é o termo da vez.

Saí novamente atrás de sangue, estava escondido mas à vista de todo mundo, estava lá mas o mundo não conseguia me ver. Dominei a vítima facilmente, ela não pode resistir a força de minha vontade.

Texto: Grecco Moraes

O Relato de Desmond Cadman:

Posted in Literatura, RPG with tags , , , , , , , on novembro 29, 2012 by Lucas Bernardo Ramires

29/12

Faz dois dias desde que Markus sumiu e que deixei aquela mansão. Afinal, qual era a finalidade daqueles corpos no poço? E a banheira? Ainda estou tentando me acostumar. Não sei o que sentir. É estranho.

***

30/12

Chove lá fora. Ainda estou deitado na cama. O relógio marca 8:37 da manhã. Posso ver pela janela que não há sol. Me sinto muito cansado, sem animo, uma sensação semelhante de quando ficamos resfriados. Estou gelado. Tomaria um café, pois adoro seu cheiro. Mas não sinto mais vontade de sentir o seu gosto. Aos poucos parece que todas as coisas que eu sempre amei em minha vida, estão morrendo.

Sinto fome. Fiz café apenas para sentir seu cheiro e lembrar da vida que já tive. “Vida”. Não sei o que fazer. Como posso contar isso aos meus parentes? Me sinto mais forte agora. Já é noite.

31/12

Não sei o que aconteceu. Acordei em minha cama com as roupas rasgadas e com muitas marcas de sangue, como se tivesse entrado em uma briga. Minha fome passou. Sinto-me enfraquecido novamente, mas preciso sair. Preciso ir trabalhar.

Fui enviado para investigar um assassinato. A vítima é uma mulher, 28 anos, morena, 1,70m. Seu corpo foi encontrado no Hyde Park. Havia sinais de luta. As roupas da mulher estavam rasgadas. A causa da morte é um enorme ferimento em sua jugular. A vítima perdeu muito sangue, provavelmente devido ao ferimento, a terra deve ter absorvido boa parte do líquido. Não há testemunhas.

***

01/01/1959

Não consigo tirar este último caso de minha cabeça. Não é novidade para mim DO QUE eu preciso me alimentar (apesar de ainda relutar em acreditar), mas começo a considerar o fato de quem pode ser o autor deste crime. Não lembro dos eventos que aconteceram na noite do dia 30.

Nas páginas policiais do jornal está a foto da cena do crime e da descrição. O texto é praticamente meu.

A autoria da cena também.

***

02/01

Tenho certeza que fui eu. De que outra maneira minha fome seria saciada? Eles vão acabar chegando até mim de alguma maneira. Eu preciso ser mais cuidadoso. O que me espanta é não lembrar de nada. Eu não posso deixar isso acontecer novamente.

Aquela era uma pessoa igual a mim. No que eu me tornei? Aliás, como é possível tal coisa existir?

Não há mais sinais dos alemães, de Markus, tão pouco do Graesser.

Preciso de respostas. Mas antes eu preciso dar um fim em tudo isso. Devo desaparecer.

***

03/01

Matei outra pessoa! O corpo está aqui, estendido sobre a minha cama. Outra mulher. A conheci em um bar, onde começamos a conversar enquanto eu tentava tragar uma taça de vinho. Viemos até minha casa. Nunca antes havia sido tão fácil assim seduzir alguém. Quando me dei conta, estava em seu pescoço. Quando ela percebeu, olhando no espelho, tentou reagir, mas logo não tinha mais forças.

Nunca tinha me dado conta de quão frágil nós somos.

***

05/01

Juntei todo meu dinheiro, irei embora para o interior. Pretendo alojar-me na antiga mansão onde todo este terror começou. Estou em risco aqui, assim como todos ao meu redor.

***

06/01

Adeus antiga casa e antiga vida. Vou atrás de respostas. “Do pó ao pó”, sempre disseram.

É o que restará de tudo que já foi meu. Minha casa, meus pertences…

— —

Texto: Leandro Zanchin

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