Arquivo para Errol Flynn

Mergulho na Voragem

Posted in RPG with tags , , , , , , , on junho 1, 2012 by Lucas Bernardo Ramires

Eternal the kiss I breathe
Syphon your blood to me
Feel my wounds of your God
Forever reign immortality
I smell of death, I reek of hate
I will live forever
Lost child, pain of death
Bleeding screams of silence
In my veins your eternity

I’ll kill you and your dreams tonight
Begin new life
Bleed your death upon me
Let your Bloodline feed my youth

– Slayer, ” Bloodlines ”

25/12/1958

Ja está escuro quando Daniel Graesser saí do escritório da Graesser Chemical e entra em seu carro. Sombras negras se alongam em contraste com as ruas nevadas de Londres. Sem vontade de voltar imediatamente para casa Graesser segue até um pub para tomar algumas doses de conhaque.

Um lugar pouco iluminado onde poucos e sonolentos clientes se debruçam sobre o balcão, no entanto, uma mesa em um canto do bar chama alguma atenção naquele ambiente. Graesser reconhece o ator Errol Flynn em companhia de uma jovem loira, eles são abordados por dois rapazes que pedem autógrafos ao grande ator. Flynn está velho e decadente, muito diferente do homem que estrelou os filmes de ação que povoaram a juventude de Graesser, ele troca algumas palavras com o velho ator depois vai para casa.

No caminho para casa Graesser nota um insistente par de faróis que o segue discretamante. Ele faz algumas mudanças de trajeto para averiguar se o misterioso carro está atrás dele realmente, quando não resta dúvida, ele estaciona o carro. O veículo que o seguia admite uma tremenda aceleração quando passa o carro de Graesser e some logo adiante ao entrar na próxima rua. Graesser pega a pasta negra e procura um taxi que o leva para casa.

Quando o taxi Deixa Graesser em frente ao portão de sua casa ele nota na fina camada de neve que se depositou no chão algumas pegadas, de pelo menos duas pessoas, em uma trilha que segue até a porta da frente da casa, que se encontra silenciosa e pouco iluminada como que aguardando por algo.

Graesser esconde a pasta negra entre as pedras e plantas do jardim e decide entrar pela porta dos fundos, ele entra pela cozinha envolta na penumbra vai onde tudo sugere que algum de seus empregados estava pronto para preparar algum tipo de refeição quando foram interrompidos.

Graesser sobe silenciosamente até seu escritório carregando uma faca e uma caneca de água quente para sua defesa, o aposento está totalmente revirado. Papéis e mobilha foram vasculhados, em uma furiosa busca por mãos insensíveis e ávidas. Ele procura o telefone, no entanto, a linha cortada não fornece nenhum auxílio. Em seguida Graesser ouve barulho no andar de baixo, parece que há mais alguém junto dele na casa.

— —

Cadman parte em direção ao campo, ele precisa encontrar o Jaguar vermelho que pode ter alguma relação com o desaparecimento da escritora americana Barbara Ewing Seyfried. As pistas levam até o vilarejo de Nympsfield em Gloucestershire, onde, segundo o departamento de registros de veículos de Londres, se localiza Woodchester Stonehouse o endereço da Sous-entendu Importation ltda.

A solitária viagem noturna de Cadman até a bucólica localidade é entediante e fria, a neve começa a cair mais grossa. A sensação de frio se intensifica quando ele observa eventualmente janelas iluminadas e fumaça saindo de chaminés das poucas casas por onde a astrada passa. Nem uma breve parada para um bule de chá espanta totalmente o frio daquela noite.

A monótona viagem está próxima do fim, conforme a sinalização na estrada, quando surgem dois faróis adiante na estrada, vindo rapidamente em direção oposta a de Cadman. Cauteloso ele decide encostar o carro bem a tempo, quando um Citröen negro passa bem acima do limite de velocidade. Sem se desviar de seu objetivo Cadman deixa de lado aquele motorista infrator que somente poderá atrasa-lo em sua busca.

Seguindo em frente Cadman chega até a pequena cidade de Nympsfield, os moradores ja se encontram recolhidos a suas casas, o ultimo cliente de um pub saí percorendo um caminho sinuoso pela calçada e Cadman entra no estabelecimento para conseguir informações.

O taverneiro o recebe com uma expressão cansada e um pouco impaciente e informa que ele ja está fechando o bar por hoje.

– Boa Noite senhor, pode informar qual é o caminho para Woodchester Stonehouse?

– Posso sim, mas o senhor vai perder a viagem, não mora ninguém naquela casa há muitos anos. Coisas muito tristes aconteceram naquele lugar…

Intrigado com a afirmação do homem Cadman tenta faze-lo dizer qual o motivo de consternação referente a mansão Woodchester Stonehouse, no entanto, o taverneiro pede que o investigador saia, dando por encerrada a conversa e vai cuidar de seus próprios assuntos.

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Graesser desce alguns degraus da escada que leva até o hall de entrada da mansão. Antes que ele possa pensar em uma estratégia contra os invasores, um homem aparece na porta que leva até a sala de estar da casa. Um homem alto vestindo um casaco escuro e chapéu aponta uma pistola para Graesser e ordena que ele desça a escada e se entregue. Ouve-se a voz de outro homem no interior da sala de estar, ele fala com o homem que aponta uma arma para Graesser em um idioma que parece russo, depois também aparece na porta atrás do homem que está ameaçando Graesser.

Os dois invasores repetidamente ordemam que Graesser se renda e falam a respeito de uma pasta que eles desejam que Graesser lhes entregue imediatamente. Graesser joga a faca no chão e nega possuir tal pasta e diz aos homens que ele não possui a fórmula do que ele chama Agente Laranja. Os homens parecem irritados com a atitude de Graesser e o primeiro sobe alguns degraus para rende-lo. Graesser intenta jogar a água no seu atacante, mas, apenas acerta seu pesado casaco, e caí por cima do homem na tentativa. A ação dele pega o atacante de surpresa e quando eles estão desequilibrados nos degraus da escada ouvem-se três disparos.

O sangue começa a escorrer em profusão dos três orifícios no peito de Graesser, caído sobre o corpo imóvel de seu atacante imediatamente aos pés da escada ele começa a sentir a dor dos ferimentos e a perder a conciência. Como em um sonho ele vê o outro invasor sair pela porta correndo após algum barulho vindo do lado de fora da casa. Ouve-se apenas um grito abafado e o som de algum volume caindo no chão;  após alguns segundos surge na porta um outro homem desconhecido com as mãos ensanguentadas…

— —

Leva cerca de dez minutos para que Cadman, seguindo as indicações do taverneiro, aviste um grande prédio em um estilo que remete a arquitetura gótica. Andar por essa região do país traz a sensação de ter voltado no tempo e chegado a idade média. A mansão Woodchester está silenciosa e imersa na escuridão, apenas a fraca luz do luar ilumina as janelas da casa. Cadman estaciona o carro em um lugar escondido cerca de cem metros da casa, de onde ele pode ver dois carros estacionados e um deles é com certeza o Jaguar Mark IX vermelho que ele procura.

Cadman se aproxima discretamente do Jaguar vermelho e testa a porta, está aberta. Sem usar nenhuma fonte de iluminação ele da uma busca superficial no veículo. Apesar da escuridão ele consegue ver no banco de trás do carro uma grande mancha escura no estofamento dos bancos, no porta luvas ele encontra a documentação do veículo e uma bolsa feminina com cerca de mil libras.

Depois da rápida investigação feita no Jaguar Vermelho Cadman se aproxima do outro carro que está estacionado a alguns metros do outro em um lugar mais sombrio em virtude da sombra da mansão e dos arbustos próximos. O veículo é um Ford de cor negra, em seu interior o investigador encontra dois casacos masculinos no banco traseiro e dois passaportes ingleses no porta luvas, ele deixa tudo de lado e segue até a porta da mansão. 

Cadman olha através da grande porta de madeira entreaberta e apenas consegue divisar uma assustadora e completa escuridão que nem a luz filtrada pelas grandes janelas da casa pode dissipar e decide dar a volta pelos fundos da mansão. Na parte de trás do prédio o investigador descobre uma trilha que segue da casa em direção ao que no passado deve ter sido algum tipo de jardim. Cadman pode ver claramente na grama alta uma trilha recente que segue por esse caminho desconhecido e serpenteia até se perder de vista entre arbustos. O investigador considera rapidamente o que fazer e decide entrar pela porta dos fundos.

No interior da casa a escuridão é tão avassaladora que obriga Cadman a usar a lanterna que ele carrega, mas, que até agora havia evitado usar por precaução. Uma das primeiras coisas que a luz traz a tona é o corpo de um homem caído no chão do aposento, junto a sujeira e detritos antigos da casa abandonada. O investigador cuidadosamente se aproxima do corpo e descobre que ele na verdade é um cadáver. Um homem em torno dos vinte e cinco anos usando discreto social com um enorme ferimento no peito, examinado superficialmente Cadman vê um ferimento grosseiro como um rasgo profundo no tórax do homem e a expressão de dor no rosto do cadáver. Ao seu lado está uma pistola Walther calibre 22 e algumas capsulas deflagradas no chão.

— —

O estranho homem com as mãos sangrentas se aproxima de Graesser olha para os ferimentos e todo o sangue no peito dele e parece contrariado.

– Parece que cheguei tarde.

– Quem é você? O que faz aqui?

– Eu posso ajudar você…

– O que aconteceu com seu comparsa?

– Eu não tenho nenhum negócio com esses homens, no entanto, eu vim pelo mesmo motivo que eles.

– O que você quer, eu estou morrendo se você não me ajudar eu morrerei.

– Você não tem idéia do poder que tem nas mãos e eu quero para mim.

– Se eu morrer você nunca vai encontrar.

– Então devo fazer algo a respeito…

Graesser desperta em sua cama, desorientado e se sentindo estranho ele camableia pelo quarto como um bêbado. Procura o relógio, quer saber quanto tempo passou, precisa de um pouco de normalidade que o toque do relógio pode trazer. Os ferimentos em seu peito doem, e ele os examina e encontra uma espécie de curativo. Retira as bandagens e descobre que apesar de alguma dor os orfícios estão fechados.

Desorientado Graesser vagueia pela casa observa que os rastros do que aconteceu desapareceram, não há corpos no chão do hall de entrada, as únicas provas de que a ordem da casa foi perturbada é a desordem no escritório e em outros lugares onde os invasores concentraram sua busca. Não há vestígios de corpos ou crime qualquer além da invasão. Ele vai até o jardim retira a pasta negra de seu esconderijo e a coloca no cofre escondido em seu escritório. Depois Graesser sentindo muito frio, desorientação e dores pelo corpo esboça sair para procurar ajuda mas impossibilitado retorna até a segurança de sua cama, onde encontra um bilhete que não havia visto antes. No papel está escrito apenas: Não saia de casa até eu voltar!

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Quando examinava a cena de crime que encontrou em uma aposento da mansão abandonada Cadman ouve um som, que possivelmente só foi possível ser ouvido em virtude do silêncio esmagador do interior da mansão. Um barulho baixo semelhante a algo sendo arrastado. O investigador saca a pistola e parte em direção a origem do som através da enorme escuridão da casa.

Cadman tem dificuldade de se mover pelos amplos aposentos da mansão abandonada, tateando a escuridão apenas com sua pequena lanterna. O investigador encontra uma passagem que parece levar até uma adega ou despensa, de onde parece estar vindo o estranho arrastar. Cuidadosamente desce as escadas que levam até um aposento de pedra onde ele pode ver uma fraca luz amarelada através de uma porta entreaberta.

Naquele tétrico ambiente cheirando a mofo e coisas em decomposição, Cadman encontra um rastro de sangue que o leva até um cadáver escondido em um canto do aposento atrás de vários barrís antigos. Ali jaz o corpo desfigurado de um homem, que o investigador examina e vê que parte de seu crânio foi arrancada.

Cadman começa a observar o lugar em busca de mais pistas, e então ouve novamente o som que o levou até aquele lugar, ele se vira e vê a origem do som. O homem que antes jazia no chão de pedra ensanguentado da adega, agora está de pé ele e tem o que resta de suas feições transformadas em uma face de horror ao mesmo tempo selvagem e monstruosa. Aquilo pula em cima de Cadman e eles caem no chão. Apertado em um abraço mortal o investigador consegue ver as presas enormes na boca da criatura segundos antes de ele ser atacado selvagemente.

Cadman desperta com uma tremenda dor no pescoço que se espalha pelo corpo, ele tem na boca o gosto amargo e terroso de sangue. Examina seu corpo e roupas e não encontra ferimentos, apenas manchas de sangue nas roupas; rosto e mãos são testemunhas do que ocorreu. Consciente ele olha para o homem que o observa sentado em um canto escuro da adega, usa a lanterna para ilumina-lo e aponta a pistola. Começa a questinonar o homem monstruoso que apesar de perecer muito ferido, consegue viver sem parte do rosto.

O homem lança um olhar férreo para o investigador e o braço dele perde a convicção, sua mente fica nublada e a boca emudecida. Como um sonho Cadman se vê ajudando o homem sem questionar, ele o coloca no banco de trás do Ford negro estacionado próximo aos arbustos e dirige de volta até Londres. Vai até o Heathrow, ajuda o homem a entrar em uma avião dentro de um hangar. O avião parte e Cadman fica sentado no banco do motorista no Ford negro.

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Resumo da crônica O Caminho das Sombras que tem como referência o Cenário de Trevas, editado pela Daemon Editora.

Lucas Bernardo Ramires – Narrador

Daniel Graesser – Grecco Morais

Desmond Cadman – Leandro Zanchin

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