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Wild Thing

Posted in Literatura, RPG with tags , , , , on novembro 28, 2012 by Lucas Bernardo Ramires

Body count
Laying down mutilated
It’s your time to die
Desolate
Lurk your satisfaction climax with your death
All alone
You’re praying intimidated with my lust for fear
Dehumanise
Crying out stimulated
Your screams fill my soul

– Slayer, “Psycopathy Red”

Eu estava em um bar, tomando uma cerveja, quando na TV, eu vi a notícia sobre a morte de um garoto. Nada de anormal nos dias de hoje, em que jovens morrem tanto, tão cedo e de maneiras tão violentas. No entanto, as circunstâncias da morte do rapaz aguçaram minha curiosidade. O jornal dizia que um rapaz havia sido atacado por um urso ou outro tipo de animal selvagem, no estacionamento de um Supermercado. nas imagens do noticiário haviam policiais, repórteres e curiosos cercando a cena daquele terrível acontecimento. O jornalista que cobria o evento no local informou que alguns policiais e peritos da polícia passaram mal ao observar o que sobrou do rapaz espalhado pelo chão dos estacionamento do Supermercado.

Naquela noite eu não dei importância para o fato, mas isso mudou na noite posterior. Quando uma mãe e sua filha foram encontradas estraçalhadas no parque perto de sua casa, a polícia inicialmente suspeitou do marido. Afinal ele foi encontrado chorando sobre os corpos delas, com as roupas ensanguentadas. O homem foi levado sob custódia, terrivelmente abalado, no entanto, o marido foi logo descartado como suspeito depois que os peritos analisaram os corpos. Na imprensa também correu o boato de que  os corpos foram terrivelmente mutilados e parcialmente devorados. Eu normalmente gosto de ficar longe de problemas, mas alguma coisa me dizia que eu tinha que investigar o que estava acontecendo, então fui dar uma farejada por aí para ver o que descobria.

Fui até o estacionamento onde o rapaz foi encontrado. Até aquele momento eu não tinha certeza de nada e esperava que minha intuição estivesse errada. Havia chovido naquela madrugada após a morte do garoto, o que tornou muito mais difícil a minha investigação. Cuidadosamente evitei os dois patrulheiros sonolentos que guardavam o local, passei pelas linhas de isolamento da polícia e fui farejando o asfalto do estacionamento. Foi quando eu senti o cheiro daquilo que pegou o garoto. Eu esperava que fosse um urso ou na pior das hipóteses algum assassino maluco, no entanto, era algo muito diferente…

Depois naquela mesma noite invadi o necrotério para ver se conseguia alguma pista que a polícia tivesse deixado passar por não contar com nenhum detetive com as minhas habilidades. Não tive muita dificuldade para encontrar os corpos da mulher e sua filha, elas estavam naquelas horríveis e frias mesas de alumínio de necrotérios. Os corpos estavam terrivelmente mutilados. A mulher teve grande parte da carne do rosto e seios arrancadas, o pescoço tão descarnado, que o que mantinha a cabeça presa ao corpo era quase que somente a coluna vertebral. O delicado corpo da mulher ainda tinha grandes horríveis marcas garras. A menina, que devia ter por volta de seis anos, parecia uma pequena boneca que foi atacada por um cão feroz. Faltavam grande parte dos dedos, mãos e braços no diminuto corpo da menina. Em meio ao cheiro da sangue ainda fresco das vítimas, pude sentir o cheiro dele.

Quando as mortes começaram eu logo descobri o que estava acontecendo, não era eu que estava matando pessoas, mas fazia alguma ideia de quem, ou melhor, daquilo que estava cometendo esses crimes .Acho que desde o início instintivamente eu sabia o que estava acontecendo e o que era o responsável por aquelas mortes, no entanto, eu torcia para que meus instintos estivessem errados. Decidi que era minha obrigação acabar com aquilo e evitar mais mortes. Eu sabia que isso não seria fácil, precisava encontra-lo rapidamente e acabar com esses ataques de um jeito ou de outro. O tempo estava contra mim e infelizmente aquele era apenas o segundo dia de lua cheia…

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