Arquivo para Assassinato

O Relato de Desmond Cadman:

Posted in Literatura, RPG with tags , , , , , , , on novembro 29, 2012 by Lucas Bernardo Ramires

29/12

Faz dois dias desde que Markus sumiu e que deixei aquela mansão. Afinal, qual era a finalidade daqueles corpos no poço? E a banheira? Ainda estou tentando me acostumar. Não sei o que sentir. É estranho.

***

30/12

Chove lá fora. Ainda estou deitado na cama. O relógio marca 8:37 da manhã. Posso ver pela janela que não há sol. Me sinto muito cansado, sem animo, uma sensação semelhante de quando ficamos resfriados. Estou gelado. Tomaria um café, pois adoro seu cheiro. Mas não sinto mais vontade de sentir o seu gosto. Aos poucos parece que todas as coisas que eu sempre amei em minha vida, estão morrendo.

Sinto fome. Fiz café apenas para sentir seu cheiro e lembrar da vida que já tive. “Vida”. Não sei o que fazer. Como posso contar isso aos meus parentes? Me sinto mais forte agora. Já é noite.

31/12

Não sei o que aconteceu. Acordei em minha cama com as roupas rasgadas e com muitas marcas de sangue, como se tivesse entrado em uma briga. Minha fome passou. Sinto-me enfraquecido novamente, mas preciso sair. Preciso ir trabalhar.

Fui enviado para investigar um assassinato. A vítima é uma mulher, 28 anos, morena, 1,70m. Seu corpo foi encontrado no Hyde Park. Havia sinais de luta. As roupas da mulher estavam rasgadas. A causa da morte é um enorme ferimento em sua jugular. A vítima perdeu muito sangue, provavelmente devido ao ferimento, a terra deve ter absorvido boa parte do líquido. Não há testemunhas.

***

01/01/1959

Não consigo tirar este último caso de minha cabeça. Não é novidade para mim DO QUE eu preciso me alimentar (apesar de ainda relutar em acreditar), mas começo a considerar o fato de quem pode ser o autor deste crime. Não lembro dos eventos que aconteceram na noite do dia 30.

Nas páginas policiais do jornal está a foto da cena do crime e da descrição. O texto é praticamente meu.

A autoria da cena também.

***

02/01

Tenho certeza que fui eu. De que outra maneira minha fome seria saciada? Eles vão acabar chegando até mim de alguma maneira. Eu preciso ser mais cuidadoso. O que me espanta é não lembrar de nada. Eu não posso deixar isso acontecer novamente.

Aquela era uma pessoa igual a mim. No que eu me tornei? Aliás, como é possível tal coisa existir?

Não há mais sinais dos alemães, de Markus, tão pouco do Graesser.

Preciso de respostas. Mas antes eu preciso dar um fim em tudo isso. Devo desaparecer.

***

03/01

Matei outra pessoa! O corpo está aqui, estendido sobre a minha cama. Outra mulher. A conheci em um bar, onde começamos a conversar enquanto eu tentava tragar uma taça de vinho. Viemos até minha casa. Nunca antes havia sido tão fácil assim seduzir alguém. Quando me dei conta, estava em seu pescoço. Quando ela percebeu, olhando no espelho, tentou reagir, mas logo não tinha mais forças.

Nunca tinha me dado conta de quão frágil nós somos.

***

05/01

Juntei todo meu dinheiro, irei embora para o interior. Pretendo alojar-me na antiga mansão onde todo este terror começou. Estou em risco aqui, assim como todos ao meu redor.

***

06/01

Adeus antiga casa e antiga vida. Vou atrás de respostas. “Do pó ao pó”, sempre disseram.

É o que restará de tudo que já foi meu. Minha casa, meus pertences…

— —

Texto: Leandro Zanchin

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Wild Thing

Posted in Literatura, RPG with tags , , , , on novembro 28, 2012 by Lucas Bernardo Ramires

Body count
Laying down mutilated
It’s your time to die
Desolate
Lurk your satisfaction climax with your death
All alone
You’re praying intimidated with my lust for fear
Dehumanise
Crying out stimulated
Your screams fill my soul

– Slayer, “Psycopathy Red”

Eu estava em um bar, tomando uma cerveja, quando na TV, eu vi a notícia sobre a morte de um garoto. Nada de anormal nos dias de hoje, em que jovens morrem tanto, tão cedo e de maneiras tão violentas. No entanto, as circunstâncias da morte do rapaz aguçaram minha curiosidade. O jornal dizia que um rapaz havia sido atacado por um urso ou outro tipo de animal selvagem, no estacionamento de um Supermercado. nas imagens do noticiário haviam policiais, repórteres e curiosos cercando a cena daquele terrível acontecimento. O jornalista que cobria o evento no local informou que alguns policiais e peritos da polícia passaram mal ao observar o que sobrou do rapaz espalhado pelo chão dos estacionamento do Supermercado.

Naquela noite eu não dei importância para o fato, mas isso mudou na noite posterior. Quando uma mãe e sua filha foram encontradas estraçalhadas no parque perto de sua casa, a polícia inicialmente suspeitou do marido. Afinal ele foi encontrado chorando sobre os corpos delas, com as roupas ensanguentadas. O homem foi levado sob custódia, terrivelmente abalado, no entanto, o marido foi logo descartado como suspeito depois que os peritos analisaram os corpos. Na imprensa também correu o boato de que  os corpos foram terrivelmente mutilados e parcialmente devorados. Eu normalmente gosto de ficar longe de problemas, mas alguma coisa me dizia que eu tinha que investigar o que estava acontecendo, então fui dar uma farejada por aí para ver o que descobria.

Fui até o estacionamento onde o rapaz foi encontrado. Até aquele momento eu não tinha certeza de nada e esperava que minha intuição estivesse errada. Havia chovido naquela madrugada após a morte do garoto, o que tornou muito mais difícil a minha investigação. Cuidadosamente evitei os dois patrulheiros sonolentos que guardavam o local, passei pelas linhas de isolamento da polícia e fui farejando o asfalto do estacionamento. Foi quando eu senti o cheiro daquilo que pegou o garoto. Eu esperava que fosse um urso ou na pior das hipóteses algum assassino maluco, no entanto, era algo muito diferente…

Depois naquela mesma noite invadi o necrotério para ver se conseguia alguma pista que a polícia tivesse deixado passar por não contar com nenhum detetive com as minhas habilidades. Não tive muita dificuldade para encontrar os corpos da mulher e sua filha, elas estavam naquelas horríveis e frias mesas de alumínio de necrotérios. Os corpos estavam terrivelmente mutilados. A mulher teve grande parte da carne do rosto e seios arrancadas, o pescoço tão descarnado, que o que mantinha a cabeça presa ao corpo era quase que somente a coluna vertebral. O delicado corpo da mulher ainda tinha grandes horríveis marcas garras. A menina, que devia ter por volta de seis anos, parecia uma pequena boneca que foi atacada por um cão feroz. Faltavam grande parte dos dedos, mãos e braços no diminuto corpo da menina. Em meio ao cheiro da sangue ainda fresco das vítimas, pude sentir o cheiro dele.

Quando as mortes começaram eu logo descobri o que estava acontecendo, não era eu que estava matando pessoas, mas fazia alguma ideia de quem, ou melhor, daquilo que estava cometendo esses crimes .Acho que desde o início instintivamente eu sabia o que estava acontecendo e o que era o responsável por aquelas mortes, no entanto, eu torcia para que meus instintos estivessem errados. Decidi que era minha obrigação acabar com aquilo e evitar mais mortes. Eu sabia que isso não seria fácil, precisava encontra-lo rapidamente e acabar com esses ataques de um jeito ou de outro. O tempo estava contra mim e infelizmente aquele era apenas o segundo dia de lua cheia…

Exame de Corpo de Delicto

Posted in Principal with tags , , , , on julho 3, 2012 by Lucas Bernardo Ramires

Na mesa do Doutor Rodrigues jazia o corpo de um homem não identificado. O corpo ja possui o odor desagradável de putrefação, doutor procede com o exame de corpo de Delicto. Um homem negro de estatura regular, vestindo uma camisa rosa de xita e calças de algodão brancas. O preto desconhecido tinha um grande trauma na cabeça, o que, segundo a perícia do ilustre doutor, causou a sua morte. Estavam faltando também os dedos de um dos pés e uma grande parte da carne do rosto e orelhas, fato que causou grande repulsa nos homens que o acharam. Segundo o exame de corpo de delicto feito no corpo do morto, ele foi espancado com alguma arma contundente, o que causou sua morte, as partes que faltavam do rosto e dos pés foram provavelmente comidas pelos ratos! Ele foi encontrado na porta do cemitério da cidade de Pelotas, coberto com um lençol, pela patrulha da Guarda Nacional em ronda. Como não foram encontradas testemunhas que pudessem esclarecer a morte do preto e nenhum senhor de escravos da região veio reclamar a falta de alguma de suas “peças” o delegado de Polícia da cidade de Pelotas encerrou o caso.

Pelotas, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brazil, 1846

Mergulho na Voragem

Posted in RPG with tags , , , , , , , on junho 1, 2012 by Lucas Bernardo Ramires

Eternal the kiss I breathe
Syphon your blood to me
Feel my wounds of your God
Forever reign immortality
I smell of death, I reek of hate
I will live forever
Lost child, pain of death
Bleeding screams of silence
In my veins your eternity

I’ll kill you and your dreams tonight
Begin new life
Bleed your death upon me
Let your Bloodline feed my youth

– Slayer, ” Bloodlines ”

25/12/1958

Ja está escuro quando Daniel Graesser saí do escritório da Graesser Chemical e entra em seu carro. Sombras negras se alongam em contraste com as ruas nevadas de Londres. Sem vontade de voltar imediatamente para casa Graesser segue até um pub para tomar algumas doses de conhaque.

Um lugar pouco iluminado onde poucos e sonolentos clientes se debruçam sobre o balcão, no entanto, uma mesa em um canto do bar chama alguma atenção naquele ambiente. Graesser reconhece o ator Errol Flynn em companhia de uma jovem loira, eles são abordados por dois rapazes que pedem autógrafos ao grande ator. Flynn está velho e decadente, muito diferente do homem que estrelou os filmes de ação que povoaram a juventude de Graesser, ele troca algumas palavras com o velho ator depois vai para casa.

No caminho para casa Graesser nota um insistente par de faróis que o segue discretamante. Ele faz algumas mudanças de trajeto para averiguar se o misterioso carro está atrás dele realmente, quando não resta dúvida, ele estaciona o carro. O veículo que o seguia admite uma tremenda aceleração quando passa o carro de Graesser e some logo adiante ao entrar na próxima rua. Graesser pega a pasta negra e procura um taxi que o leva para casa.

Quando o taxi Deixa Graesser em frente ao portão de sua casa ele nota na fina camada de neve que se depositou no chão algumas pegadas, de pelo menos duas pessoas, em uma trilha que segue até a porta da frente da casa, que se encontra silenciosa e pouco iluminada como que aguardando por algo.

Graesser esconde a pasta negra entre as pedras e plantas do jardim e decide entrar pela porta dos fundos, ele entra pela cozinha envolta na penumbra vai onde tudo sugere que algum de seus empregados estava pronto para preparar algum tipo de refeição quando foram interrompidos.

Graesser sobe silenciosamente até seu escritório carregando uma faca e uma caneca de água quente para sua defesa, o aposento está totalmente revirado. Papéis e mobilha foram vasculhados, em uma furiosa busca por mãos insensíveis e ávidas. Ele procura o telefone, no entanto, a linha cortada não fornece nenhum auxílio. Em seguida Graesser ouve barulho no andar de baixo, parece que há mais alguém junto dele na casa.

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Cadman parte em direção ao campo, ele precisa encontrar o Jaguar vermelho que pode ter alguma relação com o desaparecimento da escritora americana Barbara Ewing Seyfried. As pistas levam até o vilarejo de Nympsfield em Gloucestershire, onde, segundo o departamento de registros de veículos de Londres, se localiza Woodchester Stonehouse o endereço da Sous-entendu Importation ltda.

A solitária viagem noturna de Cadman até a bucólica localidade é entediante e fria, a neve começa a cair mais grossa. A sensação de frio se intensifica quando ele observa eventualmente janelas iluminadas e fumaça saindo de chaminés das poucas casas por onde a astrada passa. Nem uma breve parada para um bule de chá espanta totalmente o frio daquela noite.

A monótona viagem está próxima do fim, conforme a sinalização na estrada, quando surgem dois faróis adiante na estrada, vindo rapidamente em direção oposta a de Cadman. Cauteloso ele decide encostar o carro bem a tempo, quando um Citröen negro passa bem acima do limite de velocidade. Sem se desviar de seu objetivo Cadman deixa de lado aquele motorista infrator que somente poderá atrasa-lo em sua busca.

Seguindo em frente Cadman chega até a pequena cidade de Nympsfield, os moradores ja se encontram recolhidos a suas casas, o ultimo cliente de um pub saí percorendo um caminho sinuoso pela calçada e Cadman entra no estabelecimento para conseguir informações.

O taverneiro o recebe com uma expressão cansada e um pouco impaciente e informa que ele ja está fechando o bar por hoje.

– Boa Noite senhor, pode informar qual é o caminho para Woodchester Stonehouse?

– Posso sim, mas o senhor vai perder a viagem, não mora ninguém naquela casa há muitos anos. Coisas muito tristes aconteceram naquele lugar…

Intrigado com a afirmação do homem Cadman tenta faze-lo dizer qual o motivo de consternação referente a mansão Woodchester Stonehouse, no entanto, o taverneiro pede que o investigador saia, dando por encerrada a conversa e vai cuidar de seus próprios assuntos.

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Graesser desce alguns degraus da escada que leva até o hall de entrada da mansão. Antes que ele possa pensar em uma estratégia contra os invasores, um homem aparece na porta que leva até a sala de estar da casa. Um homem alto vestindo um casaco escuro e chapéu aponta uma pistola para Graesser e ordena que ele desça a escada e se entregue. Ouve-se a voz de outro homem no interior da sala de estar, ele fala com o homem que aponta uma arma para Graesser em um idioma que parece russo, depois também aparece na porta atrás do homem que está ameaçando Graesser.

Os dois invasores repetidamente ordemam que Graesser se renda e falam a respeito de uma pasta que eles desejam que Graesser lhes entregue imediatamente. Graesser joga a faca no chão e nega possuir tal pasta e diz aos homens que ele não possui a fórmula do que ele chama Agente Laranja. Os homens parecem irritados com a atitude de Graesser e o primeiro sobe alguns degraus para rende-lo. Graesser intenta jogar a água no seu atacante, mas, apenas acerta seu pesado casaco, e caí por cima do homem na tentativa. A ação dele pega o atacante de surpresa e quando eles estão desequilibrados nos degraus da escada ouvem-se três disparos.

O sangue começa a escorrer em profusão dos três orifícios no peito de Graesser, caído sobre o corpo imóvel de seu atacante imediatamente aos pés da escada ele começa a sentir a dor dos ferimentos e a perder a conciência. Como em um sonho ele vê o outro invasor sair pela porta correndo após algum barulho vindo do lado de fora da casa. Ouve-se apenas um grito abafado e o som de algum volume caindo no chão;  após alguns segundos surge na porta um outro homem desconhecido com as mãos ensanguentadas…

— —

Leva cerca de dez minutos para que Cadman, seguindo as indicações do taverneiro, aviste um grande prédio em um estilo que remete a arquitetura gótica. Andar por essa região do país traz a sensação de ter voltado no tempo e chegado a idade média. A mansão Woodchester está silenciosa e imersa na escuridão, apenas a fraca luz do luar ilumina as janelas da casa. Cadman estaciona o carro em um lugar escondido cerca de cem metros da casa, de onde ele pode ver dois carros estacionados e um deles é com certeza o Jaguar Mark IX vermelho que ele procura.

Cadman se aproxima discretamente do Jaguar vermelho e testa a porta, está aberta. Sem usar nenhuma fonte de iluminação ele da uma busca superficial no veículo. Apesar da escuridão ele consegue ver no banco de trás do carro uma grande mancha escura no estofamento dos bancos, no porta luvas ele encontra a documentação do veículo e uma bolsa feminina com cerca de mil libras.

Depois da rápida investigação feita no Jaguar Vermelho Cadman se aproxima do outro carro que está estacionado a alguns metros do outro em um lugar mais sombrio em virtude da sombra da mansão e dos arbustos próximos. O veículo é um Ford de cor negra, em seu interior o investigador encontra dois casacos masculinos no banco traseiro e dois passaportes ingleses no porta luvas, ele deixa tudo de lado e segue até a porta da mansão. 

Cadman olha através da grande porta de madeira entreaberta e apenas consegue divisar uma assustadora e completa escuridão que nem a luz filtrada pelas grandes janelas da casa pode dissipar e decide dar a volta pelos fundos da mansão. Na parte de trás do prédio o investigador descobre uma trilha que segue da casa em direção ao que no passado deve ter sido algum tipo de jardim. Cadman pode ver claramente na grama alta uma trilha recente que segue por esse caminho desconhecido e serpenteia até se perder de vista entre arbustos. O investigador considera rapidamente o que fazer e decide entrar pela porta dos fundos.

No interior da casa a escuridão é tão avassaladora que obriga Cadman a usar a lanterna que ele carrega, mas, que até agora havia evitado usar por precaução. Uma das primeiras coisas que a luz traz a tona é o corpo de um homem caído no chão do aposento, junto a sujeira e detritos antigos da casa abandonada. O investigador cuidadosamente se aproxima do corpo e descobre que ele na verdade é um cadáver. Um homem em torno dos vinte e cinco anos usando discreto social com um enorme ferimento no peito, examinado superficialmente Cadman vê um ferimento grosseiro como um rasgo profundo no tórax do homem e a expressão de dor no rosto do cadáver. Ao seu lado está uma pistola Walther calibre 22 e algumas capsulas deflagradas no chão.

— —

O estranho homem com as mãos sangrentas se aproxima de Graesser olha para os ferimentos e todo o sangue no peito dele e parece contrariado.

– Parece que cheguei tarde.

– Quem é você? O que faz aqui?

– Eu posso ajudar você…

– O que aconteceu com seu comparsa?

– Eu não tenho nenhum negócio com esses homens, no entanto, eu vim pelo mesmo motivo que eles.

– O que você quer, eu estou morrendo se você não me ajudar eu morrerei.

– Você não tem idéia do poder que tem nas mãos e eu quero para mim.

– Se eu morrer você nunca vai encontrar.

– Então devo fazer algo a respeito…

Graesser desperta em sua cama, desorientado e se sentindo estranho ele camableia pelo quarto como um bêbado. Procura o relógio, quer saber quanto tempo passou, precisa de um pouco de normalidade que o toque do relógio pode trazer. Os ferimentos em seu peito doem, e ele os examina e encontra uma espécie de curativo. Retira as bandagens e descobre que apesar de alguma dor os orfícios estão fechados.

Desorientado Graesser vagueia pela casa observa que os rastros do que aconteceu desapareceram, não há corpos no chão do hall de entrada, as únicas provas de que a ordem da casa foi perturbada é a desordem no escritório e em outros lugares onde os invasores concentraram sua busca. Não há vestígios de corpos ou crime qualquer além da invasão. Ele vai até o jardim retira a pasta negra de seu esconderijo e a coloca no cofre escondido em seu escritório. Depois Graesser sentindo muito frio, desorientação e dores pelo corpo esboça sair para procurar ajuda mas impossibilitado retorna até a segurança de sua cama, onde encontra um bilhete que não havia visto antes. No papel está escrito apenas: Não saia de casa até eu voltar!

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Quando examinava a cena de crime que encontrou em uma aposento da mansão abandonada Cadman ouve um som, que possivelmente só foi possível ser ouvido em virtude do silêncio esmagador do interior da mansão. Um barulho baixo semelhante a algo sendo arrastado. O investigador saca a pistola e parte em direção a origem do som através da enorme escuridão da casa.

Cadman tem dificuldade de se mover pelos amplos aposentos da mansão abandonada, tateando a escuridão apenas com sua pequena lanterna. O investigador encontra uma passagem que parece levar até uma adega ou despensa, de onde parece estar vindo o estranho arrastar. Cuidadosamente desce as escadas que levam até um aposento de pedra onde ele pode ver uma fraca luz amarelada através de uma porta entreaberta.

Naquele tétrico ambiente cheirando a mofo e coisas em decomposição, Cadman encontra um rastro de sangue que o leva até um cadáver escondido em um canto do aposento atrás de vários barrís antigos. Ali jaz o corpo desfigurado de um homem, que o investigador examina e vê que parte de seu crânio foi arrancada.

Cadman começa a observar o lugar em busca de mais pistas, e então ouve novamente o som que o levou até aquele lugar, ele se vira e vê a origem do som. O homem que antes jazia no chão de pedra ensanguentado da adega, agora está de pé ele e tem o que resta de suas feições transformadas em uma face de horror ao mesmo tempo selvagem e monstruosa. Aquilo pula em cima de Cadman e eles caem no chão. Apertado em um abraço mortal o investigador consegue ver as presas enormes na boca da criatura segundos antes de ele ser atacado selvagemente.

Cadman desperta com uma tremenda dor no pescoço que se espalha pelo corpo, ele tem na boca o gosto amargo e terroso de sangue. Examina seu corpo e roupas e não encontra ferimentos, apenas manchas de sangue nas roupas; rosto e mãos são testemunhas do que ocorreu. Consciente ele olha para o homem que o observa sentado em um canto escuro da adega, usa a lanterna para ilumina-lo e aponta a pistola. Começa a questinonar o homem monstruoso que apesar de perecer muito ferido, consegue viver sem parte do rosto.

O homem lança um olhar férreo para o investigador e o braço dele perde a convicção, sua mente fica nublada e a boca emudecida. Como um sonho Cadman se vê ajudando o homem sem questionar, ele o coloca no banco de trás do Ford negro estacionado próximo aos arbustos e dirige de volta até Londres. Vai até o Heathrow, ajuda o homem a entrar em uma avião dentro de um hangar. O avião parte e Cadman fica sentado no banco do motorista no Ford negro.

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Resumo da crônica O Caminho das Sombras que tem como referência o Cenário de Trevas, editado pela Daemon Editora.

Lucas Bernardo Ramires – Narrador

Daniel Graesser – Grecco Morais

Desmond Cadman – Leandro Zanchin

Contemplando as Trevas

Posted in RPG with tags , , , , , on maio 10, 2012 by Lucas Bernardo Ramires
There’s a shadow just behind me,
shrouding every step I take,
making every promise empty,
pointing every finger at me.
Waiting like a stalking butler
who upon the finger rests.
Murder now the path called must we,
just before the son has come.
– Tool, ” Sober”

24/12/1958

No necrotério da Scotland Yard Cadman espera a autópsia no corpo de Hank Seyfried, que deve ser feita pelo velho Doutor Fairfax. Ja passa das 22 horas e Cadman ainda está na busca para esclarecer a morte do policial americano.

– É quase natal investigador e você ainda trabalhando, isso não pode ficar para depois?

– Não doutor, preciso saber o resultado do exame com urgência.

– Claro que é urgente, tudo é sempre urgente. Tudo bem, pode acompanhar o exame se quiser.

– Depois eu irei para casa e sugiro que você faça o mesmo investigador!

Cadman acompanha o trabalho de Fairfax com atenção, após dois anos trabalhando na seção de Crimes Violentos ele parece estar ficando insensível…

O médico conclui que o homem morreu em virtude do corte na garganta, que o corpo ficou pouco tempo na água e que apesar de ser um homem saudável e forte ele aparentemente não conseguiu reagir ao ataque que o matou. Não existem marcas de luta em suas mãos e braços, como é comum nesses casos. Apenas o pulso direito foi torcido até fraturar todos os ossos do punho. O trauma na cabeça também sugere grande força empregada no golpe, foi usado um objeto contundente não determinado. Aparentemente o policial americano foi morto por mais de um atacante.

Após a autópsia Cadman Vai até o Savoy Palace Hotel faz uma busca no quarto de Barbara Seyfried, entrevista a assessora dela Julie Morgan e alguns funcionários sobre o desaparecimento da escritora, no entanto, não descobre nada relevante e retorna até seu frio e escuro apartamento para uma solitária ceia de natal.

25/12/1958

Daniel Graesser Acorda repentinamente, olha rapidamente para o relógio. São 03 horas de uma noite fria de natal, ele está sozinho em sua casa em Londres. Seus pais estão reunidos em sua terra natal em Wales para as festas, mas ele ficou em Londres, sozinho e obcecado pela correspondência que recebeu de sua finada noiva.

Ele levanta sentido frio, checa o termostato do aquecedor, veste um confortavel robe, serve uma dose de conhaque e vai novamente até seu escritório consultar o sinistro material legado a ele por sua amada Sthephany. Repassa novamente as anotações, os relatórios e as fotos, procura agora identificar o lugar onde as fotos foram tiradas, mas não encontra nada muito mais significativo, as fotos mostram na sua maioria o que aparenta ser o interior de um hospital ou intalação similar. Nas fotos tiradas a céu aberto pode se ver apenas parte de um grande prédio provavelmente construído no século XIX.

Alguma coisa repentinamente tira a concentração de Graesser da pasta negra, ele vê rapidamente passar pelo corredor um vulto, apenas um milésimo de segundo, mas, ele tem certeza de ver sua noiva caminhando pelo corredor.

Ele sai de seu escritório e segue a visão, anda pela casa e novamente a vê de costas, aparentemente se dirigindo ao quarto em que tantas noites estiveram juntos. Quando ele chega inseguro próximo ao quarto, com um atiçador de fogo firmemente em suas mãos, ele a vê agora sem duvida. Parada em frente a cama, usando uma camisola, de pés descalços como se tivesse apenas levantado da cama, Graesser pode ver a aliança de noivado em sua mão. De pé, cabeça baixa, ela chora baixinho um lamento doloroso.

– Daniel, esqueça isso, por favor…

Graesser vai até o criado mudo e procura a aliança para tentar encontrar uma prova para si mesmo de que Sthephany não está ali de pé no quarto com ele. Quando ele abre a gaveta e pega o anel de noivado na mão, ele olha novamente em direção da aparição de sua noiva, no entanto, ela ja não está mais ali…

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Na manhã de natal de 1958, Cadman longe de sua família que está na Irlanda, não tem motivos para ficar em seu apartamento em Londres. Ele parte então novamente para a investigação de um crime que provavelmente terá implicações diplomáticas. Se talvez com sorte ele conseguir achar os criminosos com rapidez ele pode conseguir uma promoção, talvez seja esse pensamento que anime o investigador Cadman a enfrentar o frio e a fina neve que cai nesta manhã para inspecionar a ponte sobre o rio Tâmisa em que ele, baseado nas informações do legista, acredita que o corpo do policial americano foi jogado.

Na calçada da ponte Cadman espera encontrar pelo menos alguma quantidade de sangue, em virtude do tamanho do corte no pescoço do morto, no entanto, a chuva fina, o tráfego de pessoas e nesta madrugada a neve que cobriu Londres não deixaram os rastros que ele esperava, se é que eles existiam…

O investigador chega até a amurada da ponte e olha as água silenciosas do rio, parece não haver pistas no local. Quando ele passa a mão na amurada e remove a camada de gelo que a recobre e encontra uma mancha escura que ficou impressa na pedra como se um liquido escuro tivesse sido esfregado na pedra da amurada, poderia ser sangue?

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Graesser convoca sua secretária na manhã de natal para o trabalho no escritório em Londres, ela não está nada feliz, mas, precisa do emprego e não é fácil conseguir outro trabalho bem remunerado, no entanto, ela gostaria de estar em casa com o marido e a filha. Graesser sozinho em seu escritório remexendo os papéis que recebeu de sua noiva, ordena que sua secretária lhe traga os nomes dos seus contatos com o Governo dos Estados Unidos que  eram os responsáveis por alguns projetos com a sua empresa.

Ele tenta falar com eles no pentágono mas a secretária apenas informa que os Diretor Shepard, encarregado desses assuntos, está esquiando em Aspen. Graesser marca uma reunião com Shepard o mais rápido possível, ele deseja muito obter informações a respeito dos projetos de pesquisa que o Governo dos Estados Unidos patrocinava na Graesser Chemical.

Mais tarde Graesser liga para o MI5, ele pensa fazer o que lhe parece era a intenção de sua falecida noiva Sthephany Queeny, expor pesquisas antiéticas e criminosas, com possíves aplicações militares que podem causar grande sofrimento à humanidade. A única resposta do MI5 é que o agente Anthony Blunt do departamento de Relações Exteriores irá procura-lo.

Graesser passa o dia de natal na sede da Graesser Chemical. Em sua sala estudando as anotações de sua noiva ele planeja a maneira mais racional e agir daqui para frente, ele possui algumas provas, porém, apenas circunstanciais. Depois que ele libera sua secretária para ir, ele fica sozinho no prédio, tomando conhaque e pensando. O telefone de sua sala toca, ele atende, mas o seu interlocutor não diz nada, permanece em silêncio e logo depois de alguns segundo desliga.

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A Trafalgar Books se localiza na praça de mesmo nome, construída em homenagem a grande vitória inglesa em uma grande batalha naval nas guerras napoleônicas. É uma livraria bem conceituada que é frequentada por muitos artistas e intelectuais londrinos. Quando Cadman entra na loja ele vê a mesa decorada com material promocional,  que foi usada pela escritora desaparecida em sua sessão de autógrafosAo lado ainda está uma pilha decorada de livros dela para incentivar as vendas. O que agora parce ser os únicos rastros que a escritora deixou.

A loja está vazia claramente em virtude do natal, somente um casal que parece estar procurando um presente de natal atrasado. Um aviso na porta diz que a livraria estará aberta até as 13 horas. Cadman entrevista o dono e os funcionários da loja. O dono se mostra bastante descontente com a falta da escritora porque ele havia feito anuncios no jornal e na radio e agora não haverá a segunda sessão de autógrafos que ele havia combinado, mas, de util ele parece não saber nada.

Um dos vendedores chamado Marc Edwards parece ser o único que tinha alguma informção relevante sobre o desaparecimento de Barbara. Ele diz que viu Barbara Seyfried e Julie Morgan saírem após a sessão de autógrafos com duas belas mulheres uma loira bem jovem e a outra de cabelo escuro um pouco mais velha, com quem, Barbara ficara bastante tempo convernando enquanto esteve na livraria. Ele afirma que nunca havia visto nenhuma delas na loja e pelo que pôde ouvir a loira tinha um sotaque que parece russo ou alemão, ele não tem certeza.

–  Você está cuidando do caso agora?

– Sim, eu estou auxiliando a investigação.

– É uma pena, ela é uma mulher adorável, espero que a encontrem logo, e bem.

– você viu mais alguma coisa?

– Como eu disse, ela conversou bastante tempo com aquelas mulheres, parecia tudo bem. Elas conversavam e sorriam o tempo todo.

– E depois o que aconteceu?

– Depois elas sairam, eu lembro porque as moças que levaram a senhora Seyfried e a senhorita Morgan dirigiam um daqueles Jaguars Mark IX novinho vermelho, como eu poderia esquecer.

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Na sede da Graesser Chemical, o dia passa e Graesser continua sozinho no escritório da empresa de sua família. Ele observa pelas amplas janelas de sua sala a neve continuamente e cobrir Londres de branco. Ele toma vários copos de conhaque enquanto pensa no que fazer. Ele recebe uma ligação de seu pai, que com a voz embargada lhe diz:

– Meu filho, como você está?

– Estou bem papai, tudo em ordem, estou trabalhando, por isso não passei o natal com a família.

– Tudo bem filho, eu preciso falar com você sobre um assunto desagradável.

– Do que se trata papai?

– Os Quenny ligaram, eles gostariam que você desocupasse o apartamento de Sthephany. Eu sei que isso é difícil, então pode deixar que nós cuidaremos disso se você quiser.

– Não papai, está tudo bem. Eu farei isso, estava adiando isso a algum tempo, mas é preciso fazer isso, tudo bem.

Graesser termina de empacotar tudos os objetos pessoais por volta do meio-dia e retorna ao seu escritório no centro de Londres. Logo após seu retorno novamente o telefone toca, porém, do outro lado da linha apenas silêncio…

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No Savoy Palace Hotel, Cadman retorna para uma nova busca. Ele revista o quarto que foi usado pela escritora Barbara Seyfried novamente, e dessa vez encontra um manuscrito que contém as pesquisas dela para um novo livro, que será sobre Jack o estripador, uma das mais terríveis histórias de Londres.

Ele procura novamente Julie Morgan e a interroga sobre o que ela e a escritora fizeram após a sessão de autógrafos e com que estiveram. Ela somente se lembra de terem vindo até o hotel com Barbara e logo depois de chegarem de ter ido dormir, ela nega ter estado com qualquer pessoa além de Barbara. Quando Cadman a confronta com o depoimento do vendedor Marc Edwards ela se mostra muito confusa e incoerente sobre o que ocorreu naquela noite. Ela consegue lembrar de tudo até algum momento durante a sessão de autógrafos, depois tudo se torna um pouco obscuro, até a manhã posterior. Ela acredita que isso se deve ao stress que ela está passando.

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A noite chega e Graesser está ficando bastante paranóico com as ligações misteriosas. Sozinho em sua sala que agora não parece mais tão segura ele planeja como sair de forma segura com os documentos que ele carrega, que de alguma forma ele acredita, podem coloca-lo em sério risco.

Tomando todas as precauções possíveis, ele observa atentamente pelas janelas procurando algo suspeito, um carro ou alguém agindo estranho nas ruas. Nada, no entanto, ele consegue encontrar e então se apronta para deixar o prédio rapidamente sob a proteção da escuridão.

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Nos escritórios da Scotland Yard Cadman pesquisa os registros de veículos de Londres. Ele procura saber os nomes de possíveis proprietarios de carros de Luxo Jaguar modelo Mark IX. Após algum tempo o departamento de registro de veículos informa que existem três carros desses modelo registrados em Londres,  apenas um deles é da cor vermelha…

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Resumo da crônica O Caminho das Sombras que tem como referência o Cenário de Trevas, editado pela Daemon Editora.

Lucas Bernardo Ramires – Narrador

Daniel Graesser – Grecco Morais

Desmond Cadman – Leandro Zanchin

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