O DIÁRIO DE KRUEGER

kruegerEu Dr. Karl August Marshall Krueger, comecei a escrever esse diário para deixar um relato sobre os estranhos eventos nos quais tomei parte. Asseguro que estou de posse da plenitude de minhas faculdades mentais, tudo que eu registrar nesse diário, faz parte das minhas pesquisas sobre o assim chamado “sobrenatural” e que tomei parte pessoalmente nos acontecimentos que vou relatar.

Tudo começou quando voltei aos estados unidos, motivado pela doença do meu pai. Em meus primeiros dias de trabalho na Universidade de Chicago, reencontrei um ex-colega dos tempos de faculdade, não vou citar seu nome aqui, daqui para frente vou me referir a ele como meu colega. Ele estava na universidade para uma palestra e por acaso encontrou o corpo de um estudante da universidade que se suicidou em um banheiro do auditório onde meu colega esteve palestrando. Depois que a polícia foi avisada do suicídio do rapaz, de nome Javier Webster, eu e meu colega nos encontramos em um dos saguões do auditório. Não imaginei que aquela coincidência me faria tomar parte em tão sombrios acontecimentos…

simbolos2Uma conversa com meu colega mais tarde no mesmo dia, revelou que ele encontrou nas mãos do rapaz uma espécie de bilhete de suicídio. O tal bilhete, que meu colega tirou fotos antes de entregar a polícia, continha estranhos caracteres que não fui capaz de determinar a origem. Aqueles símbolos estranhos, e a tragédia da morte do rapaz despertaram minha curiosidade. Auxiliado por meu colega fiz uma intensa pesquisa sobre o que aquele garoto havia grafado no papel junto as suas ultimas palavras, e nada parecido pude encontrar. Permanecia o mistério, tivemos a idéia de consultar a lista de livros que Webster havia retirado da biblioteca nas ultimas semanas.

A princípio não encontrei nada de estranho ou que pudesse esclarecer a origem dos símbolos entre a coleção consultada pelo jovem, no entanto, um nome me chamou a atenção. Na lista de Webster havia um livro que poderia ajudar a entender do que se tratavam os símbolos, um exemplar raro que pertencia a coleção de livros restrita, cuja consulta estava submetida à autorização da administração. Trata-se de um livro obscuro chamado “As origens do Rei Amarelo”, totalmente alheio a respeito do conteúdo macabro do livro e importância dele para certas pessoas, solicitei a consulta do exemplar junto aos funcionários da biblioteca. Passado algum tempo penso que foi ingenuidade minha, porque essa atitude alertou pessoas, que estavam intimamente ligadas aos fatos que estávamos investigando, e que fariam qualquer coisa para impedir que a verdade viesse à tona.

Coisas estranhas começaram a acontecer comigo desde que comecei esta investigação, mas certamente o que mais me pareceu estranho foram diversas chamadas que recebi no telefone de meu novo apartamento em Chicago, na secretária eletrônica havia nada menos que 32 chamadas não atendidas do mesmo número misterioso, que mais tarde descobri, pertencia a um depósito da Universidade de Chicago, e estava desligado a dois anos! Nas ligações somente se ouvia um chiado, depois de alguns segundos de barulho a ligação era interrompida. De qualquer forma, a procura de quem havia feitos as chamadas me levou até um depósito no departamento de História da Universidade. Na sala de onde haviam partido as ligações, eu acabei me deparando ao acaso (será mesmo?) com uma pasta contendo anotações e atas de reunião de um suposto “núcleo de pesquisa acadêmica”, ao olhar o material reconheci os nomes de alguns de meus novos colegas professores da Universidade. São eles: Michael Cathcart, Jerry Detwiller e Daniel Holcomb, e alguns nomes que eu não conhecia como: Judith Nadler e Antony Osgood. Ao que parece se tratava de um grupo interdisciplinar que se dedicava ao estudo de questões lingüísticas e folclóricas, mas, que se desviou do seu objetivo e se tornou uma espécie de culto estranho. Dadas as informações obtidas na conversa que eu e meu colega tivemos mais tarde com o professor aposentado Daniel Holcomb. Infelizmente não pude ler todas as anotações do grupo de pesquisa, fui interrompido na ocasião de minha descoberta pelo diretor Cathcart, outro envolvido no culto. Ele ficou muito nervoso quando me viu naquela sala, onde ele escondia os registros de suas atividades suspeitas. Pretendo voltar até aquele depósito e coletar aquele material para análise.

No dia 19 de dezembro, ao voltar de meus exercícios matinais encontrei um bilhete colocado por debaixo da porta do meu apartamento. Era um bilhete escrito a mão, pedindo para que eu entrasse em contato, era o professor que eu substituí na Universidade de Chicago, Daniel Holcomb. Ele queria conversar sobre coisas que o que estava acontecendo na Universidade os eventos estranhos que ele participou e que o torturavam desde então. Junto com o recado de Holcomb havia um pedaço de papel amarelado que tinha manchas de sangue coagulado e inscrições como às deixadas por Javier Webster. No mesmo dia eu e meu colega nos encontramos com Holcomb, ele estava muito nervoso queria desabafar, ele nos contou que os professores formaram um grupo de pesquisa para estudar algumas teorias de Cathcart, mas foi depois quando Detwiller entrou para o grupo trazendo “o livro” é que as coisas mudaram. Vou transcrever aqui o trecho que gravamos da conversa com Holcomb:

“Começou há dez anos. Foi depois que Cathcart teve uma espécie de Epifania. Ele disse ter sentido uma espécie de presença logo após um acidente no campus da Universidade. Foi há dez anos. Eu fui o primeiro com quem ele falou a respeito. Achei que ele tinha sofrido um tipo de concussão. Pelo menos até perceber o quão sério aquilo era para ele. Aos poucos, outros se integraram a nós. Cathcart tinha algumas teorias, e achava que um grupo multidisciplinar poderia apoiá-las. Mas então chegou Detwiller. Ele era audacioso. E encontrou um livro que pela primeira vez nos abriu verdadeiras possibilidades. Chama-se Origens do Rei Amarelo. Nós queríamos estudar mais o tomo, mas Detwiller conseguiu convencer a todos que a melhor forma era seguir as instruções que falavam de uma caligrafia singular e mantras. No fundo, ele era um cético disposto a abalar a reputação e as crenças de Cathcart. Ele sempre nos considerou um bando de velhos crédulos. Fizemos o ritual no prédio de Ciências Biológicas. Cathcart, Detwiller, eu, Judith Nadler e Antony Osgood – que Deus o tenha. Morreu há um ano de causas naturais. Espero ter tanta sorte… O rito deu certo. Pela primeira vez, não restou sombra de dúvida a respeito da sensação de perversidade que Cathcart disse ter sentido seis anos antes. Naquela tarde, as fornalhas da Universidade se acenderam, coisas estranhas aconteceram com a eletricidade, o sino da Catedral badalou, e nenhum de nós foi mais o mesmo. Meses depois, um estudante cometeu suicídio. Ele quase caiu sobre mim. Da sua mão morta eu tirei o bilhete que lhe enviei. Ele tinha alguns dos símbolos que escrevemos naquele quadro. E agora outro garoto morreu. E a polícia acha que foi um suicídio comum. Eu sei que não é assim. Cathcart me disse que a polícia encontrou algo parecido no local onde ele morreu. Aquelas inscrições que nunca entendemos. E nem assim, nem com isso, eu o convenci a enfrentar Detwiller. Eu sei que ele vai levar adiante aquilo outra vez. Eu não sei o que ele aprendeu nos últimos anos, mas temo por algo que sequer posso imaginar o que seja. Eu não tenho mais força para me colocar entre ele e seja lá qual for o seu objetivo, mas sei que é nefasto, e que alguém, vocês, precisam fazer alguma coisa”.

 

Após a conversa com o velho Holcomb, discutimos o assunto e decidimos que rumos tomar. Por mais fantasioso que fosse o relato do velho professor decidimos que era imprescindível tomar aposse do tal livro par evitar que algo pior acontecesse, sobrenatural ou causada pela influencia dos professores envolvidos.

reg5

Na tarde daquele mesmo dia retornamos até ao campus decididos a acabar com as experiências do grupo. Em nossa busca pelo livro estivemos na biblioteca Joseph Regestein onde o livro foi recentemente restaurado, mas a sorte parecia estar contra nós, ele já havia sido retirado do setor de restaurações na manhã daquele dia, acredito que pela professora Nadler que faz parte do culto e que atualmente era diretora da biblioteca Regenstein. Nossa tentativa de chegar ao livro antes dos professores fracassou, e nos desagradava à idéia de confrontar os envolvidos diretamente e expor nossa posição. Mesmo assim seguimos em seguida até o laboratório onde eles costumavam realizar seus rituais, de acordo com o que Holcomb havia dito.

Estávamos certos de que com o livro nas mãos os professores do culto planejavam realizar algum tipo de ritual em breve, e isso poderia causar mal a mais alguém, inclusive a eles mesmos. Quando nos acercamos do prédio onde fica o laboratório, já era noite e fazia muito frio. Notamos que o prédio estava aberto, no entanto, não havia sinal de que os seguranças estivessem por perto. Subimos até o andar do laboratório e logo começamos a escutar uma voz entoando uma espécie de cântico ininteligível. Ao nos aproximarmos cautelosamente da sala de onde ouvíamos o cântico confirmamos nossos temores, uma cerimônia já estava em andamento…

Aquele andar do prédio parecia abandonado, tudo estava em péssimas condições, plantas mortas, sujeira, móveis estragados compunham o cenário. Em conjunto com a escuridão do local formavam o cenário de um pesadelo.Ao nos aproximarmos com cuidado e observamos através da porta entreaberta, que a voz que ouvíamos era de Jerry Detwiller, ele recitava o cântico enquanto Judith Nadler fazia inscrições em um quadro negro no fundo da sala. Acredito que foi quando notamos que a temperatura da sala estava aumentando, e que havia um cheiro forte de produtos químicos na sala. O cântico havia se tornado mais frenético e pensávamos que era iminente o clímax do ritual, decidimos tomar uma atitude, hoje creio que não foi a mais acertada delas, pois, os resultados foram de certa forma desastrosos, no entanto, dado o nosso despreparo e a necessidade de uma decisão imediata acho que foi o melhor que pudemos fazer. É uma pena na verdade, lamento o que aconteceu com Detwiller e Nadler.

Meu colega se esgueirou até a mesa, agora ambos Detwiller e Nadler recitavam o cântico, a tensão era insuportável. Nesse momento eu apaguei a única luz que iluminava a sala, meu colega apanhou o livro e fugimos protegidos pela escuridão do local. Acho que nunca vou esquecer os gritos de Detwiller e Nadler…

O que vou relatar a seguir foi o que ouvi de meu colega sobre o que ele viu segundos antes da luz se apagar, não tenho razão para duvidar de seu relato, baseado no que também presenciei e em como isso afetou psicologicamente meu colega.

Segundos antes de eu apagar as luzes ele viu uma espécie de vulto junto a Detwiller, algo que parecia com uma silueta vagamente humanóide, não era uma sombra ou algo assim, era algo semelhante ao efeito de evaporação em asfalto quente, mas, que estranhamente tinha contornos humanos. Tudo não passou de poucos segundos, mas meu colega diz ter certeza de que aquela figura misteriosa notou a presença dele, e mais, ele afirma categoricamente que eles conseguiram invocar alguma coisa terrível, e que ela olhou para ele diretamente!

Aqui você pode acessar O Relato de Karl Krueger para a Crônica Um Sombrio Dito Notável

Anúncios

Uma resposta to “O DIÁRIO DE KRUEGER”

  1. angreifer Says:

    Esse é um material que eu escrevi a partir da minha experiência na crônica “um sombrio dito notável”, é uma pena que tenha acabado abruptamente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: